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sexta-feira, 6 de julho de 2018

Adeus, é hora, Adeus...

É hora - todos os sinos anunciam.
Desde Roma a Jerusalém.
Se foi como quem viveu um dia
Mas viveu como se já tivesse ido...

O relógio enumera as causas da morte.
O laudo não grita a dor do despejo.
Expulso do corpo, sozinho no espaço.
A vida foi só um breve lampejo...

Pela manhã teve o Sol queimando
À tarde o primeiro golpe fatal
A noite trouxe o fim do seu tempo.
Luto em toda a cidade: ninguém deu sinal.

Já foi a vez do corpo sobre a mente
Quem impera nessa era é a descência
Não maritiriza a ninguém a morte
Traz somente, talvez, a dor da ausência.

Adeus, irmãos, adeus, adeus,
Abraçando memórias juntas ao meu corpo,
Me vou, despeço-me dos meus.
Adeus, é hora, adeus, adeus...


Cada segundo com você é precioso.

Quando me veres, do alto do meu cansaço
Te lembrarás destes dias turvos
Nada será esse ouro reluzente de Minas.
Em mim, terei o meu silêncio ofegante
E o passado visitando meus sonhos de quando em quando.
Mas não se engane: nada mudará no meu interior.
Ainda serei naquele velho retrato de nós dois
O mesmo sorriso que seus olhos sobre mim deitaram.

Cada segundo com você é precioso
Tempo que orvalha sobre os móveis, resplandece o chão
Faz tudo que é tocado ter som de tambor
Como se te ver fosse lustrar os móveis e varrer o chão
E morar em Ifé sob o julgo do Rum.
Tempo louco, no qual sou um e sou outro
Enquanto luto para ser nenhum dos que me habitam.
Olha, meu bem, as palavras se enganam fácil
E a mente é um labirinto: mas eu sou todo corpo.
Um corpo faminto por ti, um corpo que anseia por ti,
Um corpo que, na tua ausência, perde o calor.

Minhas memórias

Todos os velhos retratos estarão guardados
E bem trancados no futuro.
Minhas memórias serão apagadas de lampejo
Como flash de luz que cruza o céu.
Tu te recordarás quando à beira do fogão
Um crepitar de dor dentro da panela surgir
 - O angu e a carne da escola no interior -
E eu já não serei a saudade amarga em seu peito.

Quero-te em braços serenos, em voz de beijos doces
Como nos caminhares em rua de terra.
O café é tão preto que cheira a madeira nobre
Meu coração não tem teu formato, nem teu gesto.
Vou morrer antes da meia noite, acordado e alerta
Com o aroma da sua juventude na boca
E poucos arrependimentos, mas ainda infeliz.

O amor nao mata quem o sente;
Amar é renascer pra vida eterna.
E a paixão é o prenúncio, brisa antes do furacão.
O que nasceu do canteiro de nós não vingou
Deixo a culpa deitar em meus olhos escuroseE quando tua primavera chegar
Teu seio em flor relembrará meu nome
Com mais mágoas que rancores
E eu ainda estarei com uma frase presa na garganta
Um pedido de desculpas sem advérbios
Uma ferida aberta que fechou sem dar queloide.


Não sou

Não sou porque nada é
Antes de ter em si próprio o seu sentido.
Estou...existo...da forma que me pode sustentar
Pois todas as ruas são cruéis aos pés descalços.
Famintos se entrecruzam a espreitar promessas
O lado de fora de nós é uma cidade:
Dentro, ora sou inferno, ora purgatório.
Deixo o céu aos infiéis a si próprios.

Nenhuma vitória deu-me o primeiro lugar no pódio.
Nenhuma de minhas relíquias estão em meu peito
Guardo-as em memórias espalhadas por gavetas,
Por pensamentos que me torturam e causam sono,
Pelos caminhos que passo apressado sem olhar pros dois lados antes de atravessar.
Na trajetória que minha vida segue, sei que vou colidir
E anseio o impacto, como se fosse pari-lo, extirpa-lo do meu ventre
Para ver nascer no seio do meu algoz o meu motivo para sorrir.

Ali adiante, além das pegadas em pisos limpos por terceirizadas
Estive pensando, quando não estava sufocando meus medos:
Há um novo futuro pras velhas ações!
Não se comova, porém. O futuro é o mesmo que a vida tem...







domingo, 1 de julho de 2018

Sou onde, não quando

Vou dormir sem o dia em mim dormir.
É como palavras decantadas no fundo da boca
Não há fim para o silêncio do meu deglutir
E toda frase sem nexo eu encaixo aqui.

Um poema mudo ou de voz rouca
Basta ler umas páginas para nos encantar
O que há em mim o mundo não conhece o sinônimo
Sou onde falha o dicionário
       Onde morrem os inválidos
       Onde não tem sentido a palavra
       Onde a garganta desafina
       Onde os olhares são um completo vazio.

      

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Raiz Preta, Mar profundo

Preta,
Tua raiz também é minha
Somos par da mesma planta.
Se cair, pegue em meu braço
Erga a cabeça e se levanta.

Teus passos são meus caminhos
Nossas pegadas são irmãs
Se a Kalunga tomar teu rosto
Também me roubará as manhãs.

Não há mão que te sufoque
Que não roube também meu ar
Onde quer que mirem teus olhos
Lá estará o meu olhar.

Na tua voz que me ensina
No teu ouvido que me escuta
Somos dois erguendo a vida
Somos um sangrando em luta.

Se o porto é árvore de Banzo
O mar profundo ainda chora
Navega em meu barco, vem comigo
A terra preta canta: chegou a hora!

Ser teu par nessa corrida
Juntos sempre, minha missão:
Não me deixar sugar tua vida
Não ser feitor da tua opressão.

Amar, respeitar e compreender
Proteger, ser protegido
Ser meu corpo o teu escudo
Quando o seu for corrompido.

terça-feira, 5 de junho de 2018

A mente é uma armadilha

A mente é uma armadilha,
não se engane:
pontes sem muretas,
escadas sem corrimão,
sacadas sem proteção
trilhos sem caminho de volta
remédios em profusão.

É preciso vencer a disputa.
Há cor nas portas dos escritórios
No batente, talvez.
Ou é preciso pintar paredes
Nos caminhos, nos corredores.
Grafitar a vida ou perecer.

São horas infinitas, todas as oito.
O coração padece, o relógio parece
Engarrafado entre os segundos.
E o calor que se esvai
São fórmulas e planilhas, pilhas de tijolos
Tudo derramado em etílico cinco porcento.

Achar sentido na carência
Lutar contra as faltas e ausências
Sofrer sem desmoronar.
Levantar-se é preciso, uma vez mais.
Calar não é fortaleza.
Pereça, padeça, pareça
Mas deixa que o grito do peito
Seja o pedido de ajuda
Augúrio, socorro
Sua real aparência.