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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Homem de doze anos


Ando faminto e mal dormido 
Com fome de tudo que sacia a alma
Com a esperança depositada em copos e pratos vazios.

Não sou só nos becos do mundo.
As paredes há tempos testemunham meus gemidos
Indistinguíveis entre o prazer e a dor do abandono.
Venho há anos escondendo meus segredos
Rindo entre fumaças e pessoas tóxicas
Enveredando-me nos corpos sem calor
Fugindo dos olhos da pessoa que devo ser.
E devo a mim mesmo as minhas mazelas
Os choros engolidos nas madrugadas
A turbulência que meus pensamentos têm me causado. 
Desde a cama entre cinco
Tenho dividido minha história e minha alma
Demais, e em tantos pedaços
Que saí para catar cada um deles e ainda não voltei pra casa.

Tenho bons vizinhos, os quais nunca vi.
Sento-me na calçada sob o sol para ouvir os ruídos da rua
É quase tarde quando o Sol bate cartão no horizonte
Sua jornada não inclui levar-me consigo, porém.
Fujo do frio que me persegue em meu edredom
Mas não há lugar para ir quando é a saudade que me visita.
Ademais, são as pessoas distantes que me desconfortam
As que não sabe estar sem serem falta
As que são vazio onipresentemente.

Olhos coloridos em meu caminho
Tive medo de cair de cama um dia e estar sozinho
Entre livros de Física Quântica e Astronomia...
Quanto as poesias concretas e o mundo líquido de Bauman,
Meu corpo diz que é preciso ter força para não se curvar. 
Tenho enxergado o mundo com o corpo prostrado 
Pedindo silêncio aos sons da cidade
Enquanto abafo gritos desesperados nas minhas víceras.
Ainda faz calor nas ruas em que nasci
E eu só refrescava meu ventre nas águas de minha mãe.
Hoje, longe dela, e de quem nessa terra me fez dormir tantas vezes
Olho-me no espelho do passado
E vejo passos firmes e retos tornarem-se vestígios, leves pegadas.

Não tenho mais catorze anos há catorze anos
Deixei minha idade para trás, trouxe comigo a juventude
E livrar-me dela é como livrar-me de mim.
Descubro-me na risada que dou e nos olhares carinhosos que recebo
São eles minha força de vontade, 
O sonho bom que tenho e que me faz acordar
Para reviver entre os homens maus, itens caros nas vitrines
E a eterna saudade que fez cabana do meu interior.

A casa dividida entre sete, hoje, parece imensa.
A casa dividida entre nove outrora fez ser quem sou.
Daquela casa que nos era o maior orgulho
Fiz minhas melhores lembranças e a certeza de descanso
Dores e desilusões, das quais dou risadas
Enquanto caminho por ruas ainda esburacadas
No coração financeiro do país.
Longe, bem longe de lá eu vim buscar o meu destino
Mas quem sai de casa não retorna, se um dia disse adeus...

Um comentário:

  1. Cristiane dos Santos7 de agosto de 2017 17:10

    Você é um gênio, homem! Lindeza de poesia!

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